Tecido adiposo, o vilão da história?

Todos os dias saem na mídia uma matéria sobre obesidade; sabemos que o excesso de peso faz mal, que é responsável por vários problemas na saúde como diabetes, hipertensão arterial e dislipidemia (aumento do colesterol e de triglicérides). Sabemos também que estas doenças aumentam o risco de doenças cardíacas e aterosclerose (entupimento dos vasos sanguíneos).

Você já deve ter ouvido falar que quem está por traz de tudo isso é o tecido adiposo e que o aumento da cintura abdominal é o vilão da história. Tenho que concordar com tudo isso, mas você sabe como tudo isso acontece?

Por muito tempo se achou que o tecido adiposo era um tecido meramente estocador de energia, mas conforme os estudos foram feitos descobrimos muita coisa sobre este tecido, por exemplo, que existem dois tipos diferentes de tecido adiposo: o marrom e o branco, sendo que o branco é subdividido em tecido adiposo subcutâneo e tecido adiposo visceral.

O tecido adiposo marrom aparece em grande quantidade em animais hibernantes, está presente também em quantidade razoável em recém-nascidos, mas vai diminuindo com o crescimento e é quase mínimo no adulto, o que é uma pena, pois, este tecido é responsável pelo aumento do gasto energético através do calor, sendo, portanto um queimador de gordura.

O tecido adiposo subcutâneo é basicamente um tecido estocador de gordura, tendo como função proteger os órgãos e sem grande participação nos efeitos danosos causados pela obesidade.

Agora o tecido adiposo visceral, este sim é o grande vilão. Hoje sabemos que ele é o maior órgão endócrino do organismo, brinco com os meus pacientes dizendo que ele é como se fosse um Alien dentro da gente. O tecido adiposo visceral produz uma série de substâncias denominadas adipocitocinas que aumentam a inflamação no corpo, diminui a resposta da célula a insulina e alteram a pressão dos vasos, entre outras. Além destas substâncias ele produz algumas outras que regulam suas próprias células evitando que elas diminuam de volume, portanto ele se auto protege, dificultando bastante o processo de perder peso e de se manter magro, pois estas substâncias agem no nosso cérebro aumentando nossa fome e diminuindo nosso metabolismo.

Para você saber se corre perigo meça a sua cintura abdominal (mais ou menos na altura do umbigo) se você for mulher e ela estiver acima de 80 cm e 84 cm se for homem, independente de estar acima do peso, marque uma avaliação, pois você pode estar prestes a desenvolver síndrome metabólica. Você pode evitar que isto aconteça, cuide de sua saúde e ganhe anos a mais na sua vida!

Dra Liliane Lemesin
CRM: 80189