Obesidade – noções básicas

Uma das áreas de maior atuação da nutrologia e da ortomolecular se refere ao estudo e controle da obesidade, sendo de fundamental importância visto que o aumento em sua prevalência vem se tornando uma epidemia mundial e que se nada for feito teremos daqui alguns anos uma pandemia.

O controle da obesidade é de extremo valor, pois se descobriu que se trata de um distúrbio, portanto uma doença, crônica e com consequências em todo o organismo e não uma simples questão de estética. Hoje sabemos que existem vários genes que regulam a obesidade e que uma vez que eles sejam acionados para sempre eles estarão ativos. Sabemos também que o tecido adiposo, principalmente o abdominal funciona como um “ser” a parte comandando todas as funções metabólicas do organismo, de forma que acaba alterando todo o sistema endocrinológico, causando resistência a insulina e, portanto um futuro diabetes, aumento na produção de cortisol que é o hormônio do stress e que acaba piorando o quadro de resistência insulínica e aumentando a pressão arterial e desta forma desenvolvendo hipertensão, diminuindo o nível de testosterona e aumentando o nível de estrogênio através da conversão da testosterona por um mecanismo denominado aromatização em estrogênio e sendo assim responsável pelo aparecimento de câncer de mama e próstata entre outros. Existe também no tecido adiposo um aumento na produção de substâncias responsáveis por um processo inflamatório intenso e permanente que pode aumentar a produção de placas da aterosclerose e, portanto aumentar o risco de infarto e derrames entre outras coisas.
E como fazemos para diagnosticar um quadro de obesidade?

Medindo a porcentagem de gordura presente no corpo do indivíduo. Para ter uma composição corporal normal, um homem deve apresentar 80% do seu peso constituído de massa magra (ossos, músculo, água) e apenas 20% de massa gorda; para mulheres esta composição é um pouco diferente sendo de 70% de massa magra e 30% de massa gorda. Existem várias maneiras de se quantificar esta porcentagem sendo que a mais prática no dia a dia de um consultório é a bioimpedância. Outra formas de quantificarmos a obesidade é através da medida da cintura abdominal que deve estar na faixa de 90 cm nos homens e 80 cm nas mulheres, valores acima deste indicam risco de desenvolvimento de diabetes e doenças cardiovasculares. Uma forma muito usada porém não tão precisa é calculando o índice de massa corporal (IMC) que resulta da seguinte fórmula: peso do indivíduo dividido pela sua altura ao quadrado e o resultado pode ser interpretado da seguinte forma:

Quando o individuo apresenta IMC entre 25 e 30 e não apresenta comorbidades o tratamento é feito com dieta, atividade física e terapia, acima deste índice ou quando existe comorbidades no nível abaixo deve-se instituir o tratamento medicamentoso além do indicado acima e apenas quando o arsenal dieta, atividade física, terapia psicológica e medicamentosa não funcionou e o paciente continua apresentando comorbidades como diabetes descontrolada, hipertensão e alto risco coronariano o tratamento cirúrgico é instituído.

Dra Liliane Lemesin
CRM: 80189