Disbiose, um grande vilão da saúde!

Dando sequencia a esta série de matérias sobre a flora intestinal, agora como prometido vou falar do processo que desregula a flora, promovendo aumento de microorganismos patogênicos, denominado de disbiose.

Desde as mais remotas épocas os orientais acreditavam que uma boa saúde começa pelo bom funcionamento do intestino. A cada dia que passa a ciência comprova esta crença provando que um bom funcionamento intestinal, é realmente a base para uma saúde de qualidade.

Para que ocorra este bom funcionamento é prioridade máxima que a flora intestinal esteja intacta e preservada e o desequilíbrio desta com a proliferação de flora patógena acaba sendo o grande vilão da história.

Mas como acontece este desequilíbrio? Fatores presentes na vida moderna e que nos afetam diariamente são os grandes responsáveis e vou citá-los a seguir:

  • uso indiscriminado de antibióticos e antiinflamatórios (hormonais e não hormonais);
  • uso indiscriminado de antiácidos;
  • dieta altamente processada, rica em carboidratos simples e gorduras saturadas e pobre em fibras;
  • stress, diabetes;
  • abuso de laxantes;
  • excessiva exposição a toxinas ambientais;


Agora você entendeu a importância do assunto? Nos dias atuais, estes fatores fazem parte da nossa vida o tempo todo, e conseguir controlar a maioria deles, é crucial para um envelhecimento saudável.

O uso excessivo de antibióticos mata a flora intestinal tanto benéfica como a patológica, fatores como antiinflamatórios, stress, diabetes, antiácidos diminuem o pH intestinal que é uma barreira natural para a invasão de microorganismo patógenos, e assim possibilitam a invasão de uma enxurrada deles que começam a colonizar nosso sistema digestivo competindo com a flora saudável , tendo ainda como aliado uma alimentação cheia de açúcar e gordura que é alimento para este tipo de organismo, geralmente altamente fermentativo, fazendo com que eles se proliferem com facilidade. Já a falta de fibras acaba por detonar nossa flora saudável que se alimenta delas, sendo mais um fator para que elas percam a guerra contra os invasores. E assim, todo nosso corpo padece.

A flora benéfica produz alimento para os nossos enterócitos e colonócitos (células que povoam nosso trato gastrointestinal e que tem como uma de suas principais funções a de ser barreira contra moléculas ou microorganismos antigênicos ou patogênicos), produzem vitaminas, triptofano, ajudam na digestão, entre muitas outras coisas. Quando nosso organismo começa a perder a guerra para a flora patógena, as células da parede intestinal começam a sofrer e acaba ocorrendo um distanciamento entre elas o que permite a passagem para a corrente sanguínea de uma enxurrada de substâncias como toxinas, moléculas grandes de proteína, microorganismos; que vai culminar entre outras coisas, com um processo inflamatório crônico que hoje sabemos ser um dos grandes responsáveis pelo processo de envelhecimento patológico, denominado senilidade.

Além do aumento da permeabilidade intestinal, vamos observar diminuição da absorção de nutrientes e fabricação de outros, o que é de suma importância, pois nosso organismo funciona através de uma enxurrada de reações químicas que para funcionarem de maneira correta precisam destes nutrientes.

Mais ainda, como o processo de digestão fica altamente prejudicado pela ausência da flora benéfica, placas de alimentos putrefeitos se ligam a parede intestinal complicando ainda mais o quadro e sendo intimamente ligadas ao aparecimento de câncer de cólon, um dos maiores algozes da população em geral.

Bom o negócio é sério mesmo, mas como saber se você sofre de disbiose? Vários sintomas podem indicar a presença, dentre eles:

  • história de constipação crônica;
  • má digestão;
  • flatulência (aumento de gases intestinais);
  • distensão abdominal;


O quadro piora quando a disbiose (alteração da flora) se liga a hiperpermeabilidade intestinal (síndrome de leak-gut) e aí você pode ter além dos sintomas acima:

  • alergias crônicas;
  • depressão;
  • fadiga;
  • cefaléias e enxaquecas;
  • candidiase crônica ou de repetição;
  • doenças auto-imunes como lúpus, artrites, tireoidites.


Para evitar o processo de disbiose é preciso que hábitos alimentares sejam revistos com a inclusão de alimentos frescos e saudáveis, livres de conservantes e altamente processados. Que se diminua o uso indiscriminado de medicamentos,como antibióticos, antiinflamatórios, laxantes e antiácidos, que se controle o grau de stress do dia a dia, que se ingira água em quantidade ideal para o bom funcionamento intestinal, que se pratique atividades física regular...

Quando o quadro está instalado, cuidar dele é essencial e um médico nutrólogo, ou que faça prática ortomolecular saberá te orientar de maneira correta. Um nutricionista funcional, também é uma boa pedida.

O tratamento é feito retirando a flora patológica e recolocando a flora benigna e isto pode ser feito com a ingesta de probióticos (alimentos ricos em lactobacillus, bifidobactérias e outras), prébióticos (alimentos para as colônias bacterianas com FOS- frutooligossacarídeos e inulina) e simbióticos (combinação de prebióticos com probióticos num único alimento). Você pode precisar de uma suplementação a mais além da alimentação. Em alguns casos, em que ocorra um grande acumulo de placas de material putrefeito na alça intestinal, pode ocorrer a necessidade de uma limpeza maior (hidrocolonterapia).

No próximo artigo vou falar mais especificamente dos achados atuais relacionados à flora e que ligam este problema a patologias como autismo e obesidade. Até lá. Uma boa semana a todos.

Dra Liliane Lemesin
CRM: 80189