Colesterol - Derrubando alguns mitos

Por definição, o colesterol, é um álcool policíclico de cadeia longa, usualmente considerado um esteróide, encontrado nas membranas celulares e transportado no plasma sanguíneo de todos os animais. É um componente essencial das membranas celulares dos mamíferos. Esta é a definição que você encontra na Wikipédia. Mas porque falamos tanto desta substância? Quais são seus efeitos no organismo?

Afinal de contas o colesterol é mocinho ou vilão?

Bom está série de reportagens vai tentar esclarecer você sobre o colesterol e de quebra, acabar com alguns mitos que quem estuda bioquímica sabe.

No dia 23 de outubro deste ano, saiu uma reportagem na folha quebrando um destes mitos propagados como verdade absoluta por todos e desconsiderada por poucos, e eu me incluo nestes poucos. A reportagem falava sobre um artigo publicado no “Britsh Medical Journal” assinada por um renomado cardiologista britânico, Dr Aseem Malhorta.

Nesta reportagem o Dr Malhorta ressalta que o consumo de gorduras saturadas não é o grande vilão pelo aumento do colesterol. Vou tentar explicar porque isto acontece e tentar de uma vez por todas trazer uma luz no fim do túnel para vocês entenderem a questão.

As gorduras saturadas são encontradas em leites, derivados e carnes, diferente da gordura trans, que é encontrada na gordura vegetal hidrogenada, esta sim uma grande vilã para quem tem problemas cardíacos.

O que sabemos é que o colesterol advindo da dieta, também conhecido como colesterol exógeno, é responsável por uma pequena parte do colesterol circulante, cerca de apenas 30%. O grande restante vem diretamente da fabricação feita no organismo, também conhecido como colesterol endógeno.

Quando analisamos bioquimicamente a formação endógena de colesterol verificamos que grande parte é produzida através de uma substancia denominada acetil- coa. Mas de onde vem o acetil-coa? Vem justamente do metabolismo da glicose, ou seja, do carboidrato e é justamente aí que mora o perigo. Hoje sabemos que o grande vilão da história é justamente os carboidratos refinados que ingerimos ao exagero. São eles os grandes culpados pelo excesso de peso, pelo diabetes tipo II, pela dilslipidemia e pela formação de placa de aterosclerose.

Quando começamos tratar de aumento de colesterol a primeira coisa que fazemos é cortar as gorduras e aí optamos tudo na versão light. O problema é que a gordura dá sabor aos alimentos e a indústria alimentícia tem que compensar esta perda de palatibilidade e para isso o que ela faz? Aumenta a quantidade de carboidrato e assim torna tudo mais palatável, mas por outro lado piora ainda mais o quadro porque mesmo sem saber você está aumentando o seu consumo de carboidrato e piorando ainda mais as coisas.

Vamos entender como isso acontece:

Quando ingerimos uma grande quantidade de carboidrato simples (pensemos nos refinados vindos do açúcar e da farinha branca, além é claro da frutose na forma de melaço, glicose de milho, xarope de milho, abundante nos alimentos industrializados), estes carboidratos caem rapidamente na corrente sanguínea fazendo com que haja liberação de insulina que vai colocar todo este açúcar dentro da célula, isto ocorre em todo o organismo, mas principalmente no fígado e músculo. A glicose serve como fonte primária para a produção de energia e desta forma ela vai ser transformada para entrar num processo denominado ciclo do ácido tricarboxilico (conhecido antigamente como ciclo de Krebs).

O processo de produção de energia ocorre numa organela da nossa célula denominada de mitocôndria, ela funciona como uma verdadeira fornalha, queimando combustível para a produção de energia na forma de ATP. Como toda a fornalha, existe uma quantidade ideal de combustível tolerável, sendo que o excedente pode levar a dano permanente, então quando isto ocorre, o excedente de acetil-coa fica de fora e tem que ser armazenado na forma de gordura (triglicérides e colesterol). Este mecanismo é responsável por cerca de 70% da produção total de colesterol do organismo.

Hoje já existem vários trabalhos mostrando que o consumo moderado de carne vermelha e derivados não faz mal a saúde, mas a briga ainda é grande e há aqueles que defendem fielmente uma dieta vegetariana.

Então vamos há um trabalho publicado há alguns anos também no Britsh Medical Journal. Neste trabalho, um grupo de cientistas avaliou o histórico passado e recente de uma família holandesa que tinha uma alteração genética importante que levava ao aumento considerável do colesterol (hipercolesterolemia familiar) e o resultado foi surpreendente: os antepassados que tinham uma alimentação típica do século 19 rica em carne, leite gorduroso e queijo cremoso tiveram uma expectativa de vida semelhante e até maior do que seus familiares recentes que tiveram uma dieta mais leve. Isto prova que os hábitos de vida têm grandes influencia no quadro de aterosclerose e se analisarmos o contexto de lá para cá veremos que o consumo de carboidratos refinados, frutose e o sedentarismo aumentaram assustadoramente nos últimos tempos.

Bom, dito isso, quebramos o primeiro mito sobre o colesterol: se você possui colesterol aumentado pense seriamente em diminuir a quantidade de carboidratos simples, frutose e gorduras trans presentes em grande quantidade na maioria dos alimentos industrializados no dia de hoje.

O consumo moderado de carne vermelha magra não vai fazer com que haja aumento do seu colesterol. Outro mito se refere ao consumo de manteiga ou margarina, prefira a manteiga que está livre de gordura trans e ainda de quebra possui inulina, uma substância que é fonte de alimento para a sua flora intestinal benéfica. Ovo também deixou de ser vilão e hoje sabemos que é um alimento essencial para o bom funcionamento cerebral já que é rico em colina, excelente para os nossos neurônios.

Agora tome cuidado com as quantidades e o preparo destes alimentos. O excesso de qualquer nutriente pode ser prejudicial à saúde. Fuja de frituras principalmente de imersão, pois elas saturam seu alimento de gordura trans o grande vilão da história. Evite também queimar ou passar bem a carne vermelha, porque este processo pode gerar substâncias carcinogênicas. E nunca se esqueça de que uma alimentação variável é fonte de vários nutrientes essências a sua saúde.
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Dra Liliane Lemesin
CRM: 80189